Opinião

Transferência de responsabilidades

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O último lance contra a justa e legítima greve da Educação, o do remanejo e da remoção, assombra pelo fato de revelar o conteúdo e o caráter do Governo Estadual.

Denota também uma fórmula marota, uma espécie de terceirização inusitada e infeliz: a de transferência das responsabilidades!

Aliás, prova a falta de sensibilidade e noção de Sartori e de seus homens fortes para o tamanho do problema por eles próprios criado. Transferir para as famílias a “solução” para a interrupção das aulas é típico de quem não assume suas responsabilidades com uma gestão equilibrada e honesta.

Qualquer cidadão é capaz de questionar o prejuízo pedagógico e o transtorno financeiro de se retirar crianças, adolescentes e jovens do seu ambiente escolar e jogá-los como coisas em escolas estranhas ao seu convívio e caras à sua frequência.

Quanto às ameaças de remoções, nada mais truculento e desesperado por parte da Secretaria da Educação e de seu dirigente, um homem pouco afeito aos padrões de funcionamento do Estado Democrático de Direito, acostumado com as formas de relacionamento – autoritárias e opressivas – entre patrões e empregados predominantes na iniciativa privada e no meio empresarial.

Transferir responsabilidades é, portanto, um recurso e uma concepção daqueles que entendem o Estado sempre e cada vez mais mínimo para o desfrute de direitos política e socialmente consagrados nas leis ainda vigentes (ainda que a exceção venha se tornando regra).

Não é possível dar qualquer acordo a esse tipo de prática. Que o Governo interrompa as vultuosas transferências de recursos financeiros para as empresas que lhe apoiam e administre o Estado para o bem comum da população. Para resolver a Greve, ao invés de se orientar por medidas injustas e punitivas, duas atitudes bastam: negociação e proposição. O resto é jogada política chinfrim.

Governador José Ivo Sartori: que a audiência de hoje, 24 de outubro, não repita a longa, sucessiva e recorrente postura de fugir pela tangente, escapando-lhe das responsabilidades que lhe cabem como chefe do Poder Executivo consagrado pelos votos que, ao que parece, lhe irão faltar em 2018, tamanha a frustração e indignação da sociedade gaúcha.

Alex Saratt é vice- diretor do 32° Núcleo do CPERS/Sindicato – Taquara e dirigente da CTB Educação – RS

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